dueto poético com Gothicum sobrevoo a demolição-salsugem de mais uma inútil cidade
de órbitas tísicas(e um espectro de cinzas atordoa-me à partitura vibrátil de uma hélice precoce...)perscruta-me nesta nitidez palpável de esparsos ígneos
atrozesfecunda a arcada de um desejo incrustado
de indígenas segredosencarcera-me numa ferocidade retroactiva
de vozesformula impregnados sustos à tez arrancada ao pavor(sente os lábios cegos que se arrastam num bafo de ombros expectante...)arestas sanguíneas evolam-se em proscritos archotes
de sósiassilêncios nómadas soerguem-se de uma sonoridade encadeada
de poçosharpas entontecidas retomam-me ao gemido impenetrável
dos pólosassalta-me uma luminescência de lodo à violácea textura da posseSinto o esvoaçar das libélulas da manhã…num doce murmúrio
Encontro-te, na maresia calma dos olhares singelos
Hoje és tu em mim! Na flora d`um crescer de sedução.
(canto-te os cantos nunca ditos, os trechos nunca tocados)
Nos lábios nascem hipérboles, asas de fogo que me levam a ti!
…em tons púrpura solfejam o teu nome…o teu bendito ser!
Fervilha-me o sangue, nasce-me a alma…aqui estou!
Olho-te nos olhos, sem pressas, penetrando-te o espírito
…e sorris…
(um rumor turvo assalta-me os olhos de névoas...)lácteos elixires erguem-se em pálidos
versos-híbridos estivaisnictalopes artérias pavimentam-te à ombreia felina
da peleexploro sombreados de Caravaggio à medida que o rebordo do ventre me abriga aos escombros És manhã, és ave-do-paraíso que esvoaça nos meus dedos
Elevo-me na beleza que irradias…silencio-me na tua aura
(no teu imaculado despir na banalidade das coisas)
O teu toque sacia-me à paz…espanta-me os medos!
Favorece-me o existir…aquele que nunca fui!
…e sinto!
(incendeio o flash onde pernoita o vazio de mais uma noite sem ti…)volteiam sílabas na enxertia ignóbil de um cântico-berço
de sarjasdesfilam beatas nos trapos esconjurados
dos bosquesavançam Guernicas no asilo psicadélico
em que me devolvoa sombra de um retrovisor persegue-me, mutila-me...
risca-me no pergaminho esgotado de uma tonalidade baça
de ardósia(nego-me agora como sempre te negaste...)renego as índias onde me ocluso numa écloga
de opalas e ópio(procuro no suor dos lábios uma lembrança que te guarde…)Se és tu, por que não vens?Celestial pintura que derrama a tua voz…alva, cândida!
Canto angelical num corpo humano formado, vertido.
…derramando o elixir das noites vadias!
Onde a poesia se perde no adocicado tacto…o teu!
E onde o sonho perdura e se acalenta na eternidade…o meu!
Negas-te?
Ou serei eu o negado de mim mesmo? Aquele que te sonha!
Aquele que nada tem…
…e espreita…
O secreto deleite das horas que não existem!
…mas subsistem… (tão reais com a irrealidade deste eu)
(ferve-me um sonambulismo estancado ao sangue...)existem horas inacessíveis ao corpo
onde um espesso líquido coabita o umbigo por tie são as pálpebras acesas que te compartilham à boca
do oceanona curva amena de um secreto ardor sem voz…Dou-me! E
ste nada que tudo tem!
…a mim! A ti.
A Nós…