este é o soalho que piso:embaciado, difuso inacabado
como o tempo.
passo a passo rememoro o efusivo ebulir lascivo,
retorno à ária que se desmuda em cadenciados vestígios,
subtraio-me ao denegrecido desabar do mundo
e planando sobre um movimento de recuo indiviso
transponho as primeiras águas de um momento
à medida que a entoação do olhar se adapta ao sonho
(subsiste a espera na contiguidade estreita do amor
onde poderia reevocar os lugares onde a luz se projecta pelos móveis
abastecendo-se dos contornos rígidos de abastadas formas
tornando-as únicas, profusas possessíveis)
o espelho cede o reflexo do teu corpo ausente
perante a mão que se abre, e se move, como se te tocasse
sentindo a opacidade do teu reflexo no meu
pouco a pouco retomo a linguagem do desejo,
o pensamento volve o incessante gesto de uma intocada intimidade,
a percepção de um mito ganha contornos à superfície da pele
e o teu corpo torna-se efígie do meu anseio
sob o ónus embutido de impulsionadas centelhas ao tacto
(oprime-me a mobilidade dirigida das horas,
o encenar sucessivo de um resguardo interdito,
o voraz jugo de inflexíveis górgonas
o mobilado quarto, imobilizado sem ti)
de longe a longe, recolho-te os traços cúpidos...
alargando as valsas que se incorporam no acabamento dos teus braços
entre a revelação e o segredo onde se tece o alongamento de um vulto
Interponho o Sonho à Saudade
e, como íbis, percorro a contraluz do sono
seguindo os archotes que se acendem, num arco
lançando-me ao vento ágil onde, gesto a gesto, me refaço
e à boca exprimo o beijo com que o desejo te procura os lábios
este é o desfecho dos dedos:
reatando espaços de angulares tecidos
ante a suculência inexplorada, compassada orquestrada
sobre ti
22/11/09






















um punhal de sílabas retoma-me à apocalíptica salsugem do rosto






.jpg)






.jpg)







.jpg)










.jpg)



