Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008

Em mim te Poemo


Estava decidida
A amputar de vez o sonho,
A incendiá-lo num qualquer passado,
Sem nada reter.
… Até te encontrar.

(O que te encubro é o que oculto de mim…)

São sonâmbulos corpos, os nossos
De definhadas asas, perplexos no voar,
Somos desejo dilapidado,
Ténues rumores de versejada por findar

(São tuas as palavras que suspiro…)

Não é pelo meu olhar que t’avisto,
Não é pelos meus dedos que te toco
… É no que versejo que em ti me sinto.

(Há dias em que tudo falta.
Até tu…)


Fecho os olhos… o sono!
No meu rosto pressinto linhas
Que não conheço

(Há um fragmento de mim que te chama…)

Abraço-te, sabendo que não és tu qu’abraço
Abraço-me, mesmo já sem saber quem sou

(Anoitece devagar.
Eu, tu e o dia…)


E é no reflexo do tinto, que me quedo
Tragando da sombra a luz
(do desejo…)

Se aqui estivesses,
Estendia-me ao teu lado
De olhos totalmente cegados
De lábios silenciosos, entreabertos
Sem respostas, nem perguntas
Somente morrer (uma e outra vez)
Lembrar o corpo... Amar.

(Sou fogo ardente em ti…)

Desperto todos os horizontes,
Escarlates e incandescentes
Em que me rendo,… a ti

Num só trago te recebo,
E teu gosto

Num só devaneio te asilo,
E teus braços

(Soergo das sensatas correntes
Acarinhando, demoradamente, teu corpus)


É abrupto o desejo que conduz à luz
das velas…
(Aguardando a chegada)

É auspiciosa a tentação que hesita
entrar…
(À porta)

É íngreme a loucura que conduz ao incessante
pecado
(Do corpo)

Negar-te seria esquecer-me
Apunhalar-me e matar-me
(de vez…)

Mesmo no meu silêncio,
Sinto o teu vulto,
Mesmo quando nada digo,
Há palavras por exprimir.

(Não se dissolve o que se tece
Não se finda o que se derrama
Não se esquece o que perdura)


No horizonte que me resta,
Serás presença encantada,
Que saudade assim trajada
Não se consegue despir.

Uma linha marca um rumo:
Desejo de amar e amar demais…

15/12/08