Quinta-feira, 23 de Outubro de 2008

Ensina-me...


Num rumor – de corpos...
desfolho a cadência,
das sombras...
cegando os mudos lábios
(do teu gosto...)

Ensina-me a amar-te, os gestos (mudos...)
os dóceis – frutos...
a tocha, acesa...

Ensina-me a incendiar-te a boca (nua...)
a polpa – mansa...
a brisa, quente...

Crava-se a fonte, nas dunas...
como no silêncio,
(o teu gemido...)

Ensina-me a ler-te os poros (fundos...)
os murmúrios – loucos...
os incêndios, vesgos...

Ensina-me a tactear-te os sulcos (ígneos...)
os estios – ávidos...
os reflexos, ardentes...

Singra o peito, por ti
como no orvalho
(os teus dedos...)

E deita-se a luz, (na noite...)
enquanto o teu rosto, que se repete
(no meu leito...)

23/10/08