
As folhas caem, lentamente, como lágrimas... Lágrimas sentidas d’emoção!
Vejo-as, sempre, quando cada abafada angústia se apodera de mim com esses putrefactos cálices – de desilusão...
Tenho os lábios gretados de esperas...
De luas que surgem, vão e me desesperam!... De sóis que surgem, vão e não iluminam!...
Dessas promessas que, sendo nada, me iludem.... Dessas palavras que, sendo dóceis, me encantam...
As labaredas atenuam, pouco a pouco, rastejando-me nesses confins imundos onde a luz é pura saudade do que foi, e não volta!
Jamais atices as chamas com que me embalaste em teu falso encantamento de versos, estrofes, e de todas essas inconsistentes explicações que de inconsistências se tramam!
Não... não voltes!
Para quê, se a verdade jamais brotou de teus lábios ou, se brotou, foi em sonhos quando em inconsciente mundo te alucinavas?
Deixa que as labaredas se sumam neste tempo/espaço Presente...
No Passado ficará tua memória e no Futuro... jamais entrarás!
Divergimos, sim, divergimos...
As águas que se bifurquem, que nossos mundos se apartem e que minhas palavras fluam, agora, para que jamais consumes minh’alma!
Voarei, sim, voarei... Mas não no ar onde outrora me inspirei!
Teu silêncio é meu silêncio...
Deixa que os silêncios nos afastem...
17/06/08


