
Submergi num pérfido abismo de sombras,
procurando conforto num labirinto de estrelas adormecidas.
O desprezo fende a alma de quem sente – e desespera-a!
Despenhei a alma no gélido precipício e sumi,
entre a débil luz nocturna e trechos de um cometa perdido.
A lânguida presença da luz do dia desfaz-me, aos poucos...
subsiste porém uma centelha - ateada talvez por sóis d’outra geração.
Toda a demanda fatiga o viajante, que nada alcança.
Prostro-me! perante o imperscrutável luar que acalma - e guia
surgem fátuas e desconexas imagens d'um outrora presente,
enquanto a lua me envolve e embala num silêncio quase espectral
Esqueci talvez o sabor dos teus lábios, entre esperas,
mas há algo na luminosa noite que me lembra o teu doce olhar
e me aflora a memória do teu terno abraço, e o desejo forte de te amar
03/02/08


